Quero, para compor meus castos monólogos,
Deitar-me ao pé do céu, assim como os astrólogos,
E, junto aos campanários, escutar sonhando
Solenes cânticos que o vento vai levando.
As mãos sob meu queixo, só, na água-furtada,
Verei a fábrica em azáfama engolfada;
Torres e chaminés, os mastros da cidade,
E o vasto céu que faz sonhar a eternidade.
É doce ver, em meio à bruma que nos vela,
Surgir no azul a estrela e a lâmpada à janela,
Os rios de carvão galgar o firmamento
E a lua derramar seu suave encantamento.
Verei a primavera, o esteio, o outono; e quando,
Com seu lençol de neve, o inverno for chegando,
Cada postigo fecharei com férreos elos
Para na noite erguer meus mágicos castelos.
Hei de sonhar então com azulados astros,
Jardins onde a água chora em meio aos alabastros,
Beijos, aves que cantam de manhã e à tarde,
E tudo o que no Idílio de infantil se guarde.
O Tumulto, golpeando em vão minha vidraça,
Não me fará volver a fronte ao que se passa,
Pois que estarei entregue ao voluptuoso alento
De relembrar a primavera em pensamento
E um sol na alma colher, tal como quem, absorto,
Entre as idéias goza um tépido conforto.
Charles Baudelaire - As Flores do Mal
quinta-feira, 26 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Dia especial...
Um dia recebi, de uma pessoa muito importante que passou pela minha vida, meu nome escrito num grão de arroz e hoje, um dia especial e cheio de lembranças e saudades, lembro desse grão de arroz e dos momentos de alegria.
Um grão de arroz com meu nome e uma cereja coberta de chocolate. Foram uns dos presentes mais lindos que já ganhei, simples, pequeno, singelo e com muito amor!
O que posso lhe dar hoje é meu amor e meus pensamentos através da oração e dessa canção que lhe dedico.
Amo vc!
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A uma passante...
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;
Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.
Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!
Poesia de Charles Baudelaire do livro "As Flores do Mal"
Cidade - Luz, A Paris - retratada com pinceladas impressionistas por Édouard Léon Cortèz. Obra de arte que expressa sensibilidade e parece retratar não apenas um lugar mas o espírito do lugar.
domingo, 8 de abril de 2012
Sobre um rio...
Abro os olhos e vejo a minha frente um enorme rio.
Nele faz morada algumas espécies de peixes,
Os barcos sobem e descem todos os dias,
Pessoas nadam em sua margem,
outras apenas o contemplam de longe....
Há aqueles que contam seus problemas em voz alta para o rio e nele se vão a correnteza...
A quem diga que no rio o tempo mora...
Fechando semana Santa com um domingo de Páscoa alegre em família.
Canção do dia Loreena McKennitt...
Boa semana...
Hasta
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