Essa semana começaram minhas aulas no Mestrado e com um fisgo na barriga levantei bem cedinho na terça-feira para pegar as conduções até a Universidade. Correspondendo todas as minhas expectativas e mais, a aula foi intensa e não me lembro de ter piscado as pálpebras em algum momento. Eram oito da manhã e de repente eram 12:30. Não vi a hora passar, saí da sala completamente satisfeita e feliz. O vento do ar condicionado que me incomodou no inicio da aula, depois de cinco minutos de aula não me incomodava mais, foi a primeira vez que tive uma aula de verdade. Bom, respirei arte entre quatro paredes compartilhando com mais 7 pessoas durante quase 4 horas corrido, era tudo que eu precisava é tudo que tenho em minha cabeça, arte! Entre muitas coisas que debatemos em sala os Clássicos foram os que me deixaram a pensar em muitas coisas. A professora citou Cem anos de Solidão de Gabriel Garcia Marques, um Clássico, e não pude deixar de lembrar do momento em que li esse Clássico pela primeira vez. A ocasião era perfeita para uma leitura carregada de solidão como essa. Na cidade de Macondo se passa a história da família Buendía, fundadores da cidade. José Arcadio Buendía é o patriarca da família e Úrsula a matriarca. Trata-se de um casal de primos, que se casaram assustados pelo mito de que o casamento entre familiares poderia gerar filhos com rabos de porco. Este temor cria situações divertidas no início do relacionamento, mas também situações trágicas, e será, em última análise, o causador da mudança de cidade do casal para fundar Macondo. Daí por diante o livro percorre gerações da família Buendía. Cem anos de Solidão transcende qualquer barreira da solidão com o mundo real. Meus olhos percorreram as folhas desse livro como pássaros que planam entre nuvens de um céu azul. Na quinta folha eu já me sentia uma Buendía e daí para frente foram momentos de muita solidão e folheadas divertidas. Filhos com rabo de porco me fizeram perceber que a imaginação do homem pode gerar sérios conflitos e uma imensa solidão.
Bom, tenho vários Clássicos na minha estante e cada um deles me serviram e ainda servem, pois sempre estou fazendo as re-leituras (por isso são chamados de clássicos), para entender quem somos, aonde chegamos e em que direção estamos indo, além de sempre disserem algo de novo cada vez que voltamos a eles, seja pela primeira vez, pela segunda ou pela vigésima vez que lemos um livro.
Entre os encontros e desencontros dessa vida um cortejo de borboletas amarelas passa exalando o cheiro da solidão do homem.
Fico por aqui e com uma imensa vontade de re-ler Cem anos de Solidão pela quarta vez. Quem dera a pessoa que me emprestou esse livro pela primeira vez estivesse aqui, certamente iria gostar das novidades e das borboletas.
Hasta
Na caixinha do dia: Lucy Kaplansky
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